quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Ragetti

Prólogo explicativo bem curto: alguns dias antes desta história acontecer, meu marido e eu, juntamente com o meu sogro, havíamos ido a uma loja chamada Karstadt para comprar nossas máquinas de lavar e secar roupas. A de secar chegou logo e sem problemas, já a de lavar...


A mulher linda e o entregador bobo

PÉÉÉÉÉÉÉÉÉN!

Eu pulo na cadeira. Toda vez é a mesma coisa. Devia ter uma lei que proibisse as pessoas de colocarem um interfone tão alto num apartamento tão pequeno!

Atendo o interfone. Ele começa a cuspir palavras em alemão:

-Bla bla bla bla bla Karstadt bla!

Opa, pesquei uma palavra-chave: Karstadt. Respondo:

-Ja!

Geralmente, quando toca o interfone, eu atendo, falo "ja" (fala-se "iá", e isso significa "sim"), ouço o que falam, pesco uma palavra-chave (tipo DHL, Amazon, etc) depois digo "ja" ou "ok" e aperto o botão para abrir a porta do prédio lá embaixo. Ok, confesso que às vezes eu não entendo nada do que falam e mesmo assim abro a porta. Foi assim que uma vendedora de comida congelada veio parar na minha porta. E, se um serial killer apertar o nosso nome lá na entrada e eu atender, ele pode até dizer "Olá, sou o Hans, vim esquartejar você!" que eu vou responder alegremente "Ja!", abrir a porta do prédio, abrir a porta do apartamento e esperá-lo com um caloroso sorriso de boas-vindas em cima do meu capacho do Mickey Mouse!

Bem, continuando a história do entregador: lembram que quando eu falo o segundo "ja" eu aperto o botão pra abrir a porta, né? Então, dessa vez, depois do segundo "ja", o bendito entregador começa a tagarelar:

-Bla bla bla bla bla bla bla blaaaaá!

Hummm... o que ele está dizendo? Será que está perguntando se eu comprei uma máquina de lavar roupas? Respondo com alegria e convicção:

-Ja!

O palavrório volta. Eu não entendo o que ele diz, mas tenho boa memória e sei que foi a mesma frase de antes, mas num volume mais alto e com mais impaciência:

-Bla bla bla bla bla bla bla blaaaaá!
-Jaaaaa!!!!! - berro de volta.

Nessa hora eu fico irritada e começo a duvidar da inteligência do entregador. (Mal sabia eu que ele também estava pensando o mesmo de mim.) Resolvo abrir logo a porta do prédio lá embaixo e parar com essa conversa pelo interfone, que já estava ficando sem-graça. Abro a porta do apartamento e fico em cima do Mickey. Nisso, eu ouço o entregador falando com seu colega lá embaixo:

-Bla bla bla bla bla bla bla blaaaaá! "Ja." Bla bla bla bla bla bla bla blaaaaá! "Ja!"

Arregalo os olhos de indignação! O cara está fazendo hora com a minha cara, me imitando! Ora bolas, eu tenho culpa se ele resolveu tagarelar? Quem PEDE pro dono da casa abrir a porta? É meio que óbvio, né? Se tivesse ficado caladinho eu tinha aberto a porta logo de uma vez!

O entregador sobe, carregando a máquina nas costas. Constato com satisfação que ele é feiosinho, uma espécie de versão alemã do Ragetti, aquele pirata magrelo e com um olho de madeira que vive caindo da cara, do filme Piratas do Caribe. Pensando melhor, ele é a cópia exata do bucaneiro.

O nefasto magricela põe a máquina no chão e começa a tagarelar de novo, apontando para dois pontos na parte de trás da máquina:

-Bla bla bla bla, bla bla, hier und hier. Ok?

Hum. Hier und hier significa aqui e aqui. Olho para onde ele aponta. Tá.

-Ok - respondo. Ragetti não parece muito confiante em minhas capacidades mentais. Ele repete:

-Bla bla bla bla, bla bla, hier und hier. Ok? Nicht vergessen!! Oder kaputt!*

*(tradução: Não esqueça!! Senão, vai estragar!)

Respondo "ok" mais uma vez, doida praquele homem com cheiro de cigarro sair da minha cozinha. Ele pega uns papeis para eu assinar, eu assino e ele fica me olhando com cara de bobo. Ragetti então, finalmente, vai em direção à porta, eu ponho minha melhor cara de "não gostei de você, você é bobo e me zoou" e, já que não posso falar nenhum desaforozinho pra ele, eu executo a minha vingança suprema: bato a porta... bem, nas costas dele, porque ele já está descendo a escada, assobiando e, provavelmente, tirando mais um cigarro do bolso.

15 comentários:

Erika Carlson disse...

Junha, ms eu ri muuuito com essa historinha!

Anne disse...

eu também ri até chorar! Mas que na hora dá nervoso da gente não entender nada, dá!

gymalt

Fabiana disse...

Oi, Junia!

Legal ler as aventuras de quem começa a viver em outro país, com língua e hábitos tão diferentes dos nossos. Bacana!

bjs

Fabiana da UFF

Ana Elisa disse...

Hahahahahaha!
Muito boa.

Uma vez, quando eu tinha 8 anos um amigo francês do meu tio veio passar férias no Brasil e eu comecei a chorar quando ele veio "conversar" comigo.
Agora eu percebo que o cara era um idiota, ele não achou que eu ententderia, não é?

Liviavaz disse...

HAHAHAHAHA.
Ri muito também! Dá próxima vez vc fala, ONFS!


'yande'

Mima disse...

Que horror! Junia, qdo tem essas coisas, vc sabe q pode me chamar neh?? E agora, vc nao sabe o q eh q pode fazer a maquina kaputt :P =**** mas parabens por ser tao corajosa de receber tudo sozinha rs mas proxima vez me chama!!!!!!!

Wania disse...

kkkkkkkkk.O bla bla eu entendo rsss é assim que eu entendo eles: bla bla e uma ou outra palavra o resto eu deduzo. Essa minha norinha é muito corajosa, enfrentando os Fritzs e os Hans daqui rss. A gente vence eles. Muito legal ler seu blog e rir. bjos

Nádia disse...

kkkkkkkkkkkkkk

Imaginei a cena todinha!! Até o mickey foi pisado nessa história, vc sabe q Freud explicam né? Vc está literalmente colocando os EUA debaixo dos seus pés!! ahahaha
Mas voltando ao Ragetti. q cara tosquinho...hehehehehe vc devia ter falado em portugues com ele pra deixar ele maluquinho!! hehehehe
O som deve ser igual ao da professora do Charlie Brown, não?!?

Bjs

essiftxm ---> hãããã

Mimi disse...

Aiii, o meu interfone tb me mata de susto :S
Adorei o jeito que vc contou a história, haha!

Micky Valverde disse...

Ju, fica com um dicionário sempre!!hehehehe. E vê se entra numa aula de alemão p/ ajudar, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Boa sorte

Polly Plummer disse...

hahaha Ótima história! Como eu queria ter visto isso tudo. E aí, vc estragou a máquina? xD

LoreLoves¨theLord disse...

Mto boa! Reláááxa, Juninha ;P

Debby disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Como deixam uma lokinha dessa solta pela Alemanha?
Chorei de rir, capotei, morfei oO
Vc é uma ótima narradora! ^^

Aí vem a Nádia com os comentários hilariantes dela, eu num guento! =p

Vc chega lá Jú ^^

"Manucte" -> seria um tipo de saudação? =p

Eline disse...

Junha, ms eu ri muuuito com essa historinha! [2]
kkkkkkkkkkkkkkkkkk que isso, Juju!!! São 3:30 da madruga, assim acordo o povo que rala amanhã cedinho! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.

Juju, realmente vc é uma naradora comediante, sabia? Dá pra imaginar a cena hilária! Muuuuuito bom! kkkk.

Eu quero ler e comentar mais, mas tenho q ir. Já li o da Anne todo, e da Nádia...e comentei...
Volto mais depois e comento, ok?
Jaaaaaa!!!! kkkkkkk.

Bju!

'lender'

Amy disse...

kkkkkkkkkkkkkkkkkk ri mtoooo... o Clark ja tinha me dito q era boa essa 'historia', mas fala serio... melhor q o esperado rsrsrs